

COP30: Portugal sobe três posições no ranking climático global
COP30: Portugal sobe três posições no ranking climático global
Na mais recente edição do COP30, realizada este ano em Belém (Brasil), foi divulgado o relatório 2026 do Climate Change Performance Index (CCPI), um indicador internacional que avalia o desempenho dos países na mitigação das alterações climáticas. Segundo o CCPI 2026, Portugal subiu três lugares na classificação global e ocupa agora o 12.º lugar entre os 63 países avaliados, os quais representam cerca de 90% das emissões globais de gases com efeito de estufa.
O que significa subir para 12.º
Na prática, apesar de estar em 12.º no ranking formal, Portugal está “num 9.º lugar moral”, porque os três primeiros lugares continuam vazios — o que revela que nenhum país está ainda totalmente alinhado com o objetivo do Acordo de Paris de limitar o aquecimento global a 1,5 °C.
Portugal foi particularmente bem classificado nas emissões de gases com efeito de estufa (GEE), recebendo uma avaliação “elevada”. Nas categorias de utilização da energia, energia renovável e política climática, a classificação foi “média”.
Reconhecimento mas com alertas para fraquezas estruturais
Apesar do avanço, há alertas de diversas entidades, nomeadamente a ONG ZERO, sobre factos que continuam a comprometer a transição climática efetiva em Portugal. Destacam-se:
- O setor dos transportes, que continua a aumentar emissões: em 2023 registou um crescimento de 7% e, em 2022, foi responsável por cerca de 29% do total das emissões nacionais.
- A persistência de subsídios e isenções fiscais aos combustíveis fósseis, o que enfraquece o “sinal de preço do carbono”, um mecanismo essencial para desincentivar combustíveis poluentes.
- Preocupações à volta de planos de energias renováveis: embora existam investimentos, há lacunas em planeamento territorial e em avaliação de impacto ambiental, o que pode comprometer tanto a sustentabilidade dos projetos como a sua aceitação social.
Para que Portugal consolide o seu lugar entre os países com “bom desempenho climático”, a ZERO defende políticas mais ambiciosas e coerentes: reforço da mobilidade sustentável, eliminação de incentivos a combustíveis fósseis, aceleração da transição energética, e uma abordagem de “justiça climática” para proteger grupos vulneráveis durante a transição.
Contexto internacional: um ranking ainda longe do ideal
O CCPI abrange 63 países, responsáveis pela esmagadora maioria das emissões globais, e pretende comparar as práticas climáticas de cada nação.
Na edição de 2026, os três primeiros lugares do ranking continuam vazios: mesmo os países com melhores práticas ainda não fizeram o suficiente para estar realmente alinhados com os objetivos do Acordo de Paris.
Os países com as melhores colocações incluem, por exemplo, Dinamarca, que se destaca nas energias renováveis, especialmente a offshore; Reino Unido, que já eliminou o carvão e subiu uma posição; e Marrocos, valorizado por políticas de transporte público e metas climáticas ambiciosas.
Em contraponto, vários países do G20 permanecem com desempenho “muito baixo”, o que reforça que a transição energética global continua desigual e insuficiente face aos desafios climáticos.
Conclusão: progresso visível, mas ainda caminho por percorrer
A subida de Portugal no CCPI é, sem dúvida, um sinal positivo: demonstra que o país tem progredido na redução de emissões e na formulação de políticas climáticas com algum grau de eficácia. Contudo, os alertas da ZERO e os dados relativos a setores problemáticos, sobretudo transportes e dependência de combustíveis fósseis, mostram que o desempenho ainda está aquém do ideal.
Para que Portugal possa aspirar a um “topo moral” na luta contra as alterações climáticas, e não apenas a uma boa posição estatística, será necessário reforçar as medidas estruturais, garantir coerência nas políticas e acelerar a transição energética e de mobilidade. Caso contrário, os riscos ambientais, económicos e de saúde associados às emissões podem comprometer os ganhos recentes.
Andreia Arenga
04.12.2025
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